Abutres no Poder e comando da CPI da Covid

O pugilato das palavras entre os senadores Jorginho Mello e Renan Calheiros retrata bem o clima de uma CPI que não veio para investigar, mas acusar.

Sessão desta quinta-feira (23) contou com desentendimento entre deputados Renan Calheiros e Jorginho Mello – Foto: Pedro França/Agência Senado/ND

Na tentativa de amenizar os ânimos lá estava um presidente, Omar Aziz, com a espada da Justiça na cabeça, sendo investigado por desvios de recursos da saúde, com a mulher e irmãos presos em operação da Polícia Federal. Que Senado é esse?

E o senador alagoano, investido de relator, ao perguntar aos depoentes, faz discurso e julgamentos antecipados. Isso vem irritando parte dos integrantes da comissão e nesta quinta-feira (23) entornou o caldo da paciência.

Só que de um lado está Renan Calheiros, réu em processos de corrupção, campeão em investigações por desvio e má conduta e, do outro, Jorginho Mello, sem nenhum processo judicial, o que não é um privilégio, mas uma obrigação.

Ele se indignou pelo tratamento de um senador que não deveria nem estar ocupando este cargo e muito menos relator de CPI. Não se trata de ser contra ou a favor de Bolsonaro, mas enquanto Renan se esforça em punir o governo, buscando na verdade vantagens imediatas, Mello tem aprovados 10 projetos proporcionando fôlego financeiro para pequenos empresários abalroados pela pandemia.

O que se quer é representatividade eficiente e produtiva. Dedicação ao país e não estratégias em benefício próprio ou mais diretamente do bolso. Jorginho está na CPI, mas Esperidião Amin e Dário Berger estão no Senado e deles também se espera reações contrárias a tantos absurdos.

A tribuna está aí para demonstrar indignação com atitudes de determinados pavões do parlamento. Até porque não há limites para essa gente, quando o assunto é o poder. Não respeitam nem a mãe dos adversários, numa total demonstração de desumanidade e falta de caráter.

Outra cena do relator da CPI, o campeão de processos judiciais Renan Calheiros, foi insinuar manipulação na causa da morte da mãe do empresário Luciano Hang, revelando o nível de desumanidade desta CPI do picadeiro. Caso o empresário não fosse apoiador do presidente Bolsonaro, ele teria sido colocado em questionamento?

Estão usando a morte da mãe de um empresário para atingir a Prevent Senior, que deve ser investigada em detalhes diante de denúncias robustas, mas não manipulada em interesses politiqueiros. E onde estão as entidades empresariais que não se manifestaram em defesa de um empresário aqui do Estado? Não se trata de defesa político/ideológica, mas de contrariedade a um tratamento dado a um colega empreendedor sustentado inclusive pela crueldade.

O silêncio é a omissão que alimenta esses senadores desvirtuados de suas reais funções. Pois é exatamente assim que esses senadores da convivência com o mal feito estão tratando a morte da mãe do dono da Havan, que foi convocado para prestar depoimento na CPI, quarta-feira que vem. E são PhD em hipocrisia. Falam das vidas perdidas, mas tratam a morte de uma mãe como instrumento de interesses acusatórios e eleitorais.

São venais na condução desta CPI que poderia ter prestado um grande e relevante serviço no combate à corrupção, mas serviu de palanque para senadores que usam inclusive as mortes como meio de promoção política tentando convencer com discursos enganadores e sensacionalistas preocupações com o país, que nunca tiveram. Já passou da hora de cobrar e exigir os nossos direitos.

O Grupo ND não se furta em manifestar suas críticas e insatisfações, como também sabe reconhecer e enaltecer as boas ações. E que os 16 parlamentares e os três senadores catarinenses impulsionem a mudança e não se acomodem nas regras estabelecidas por um Congresso viciado e contaminado.

O sentimento de mudança expressado em 2018 acabou soterrado por uma cultura impregnada no Congresso sem a mínima identidade com os anseios populares e suas necessidades. Passou da hora de nossos parlamentares reagirem, rompendo os limites da tolerância.

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