Ao responsabilizar PT, terceira via assume que é ruim de rua. Por Helena Chagas

Publicado em Os Divergentes

Imagens mostram atos esvaziados do MBL de 12 de setembro. Foto: Reprodução/Twitter

Por Helena Chagas

As forças que torcem por uma terceira via e os organizadores das esvaziadas manifestações de domingo passado pelo impeachment tentam responsabilizar PT, PSOL e movimentos sociais da esquerda pelo fracasso.

Apontam um “boicote” aos atos, acusando o ex-presidente Lula e seus apoiadores de terem passado a não querer mais o impeachment depois de as últimas pesquisas mostrarem que Lula bate Bolsonaro em todos os cenários em 2022.

É possível até que, lá no fundo do coração, alguns petistas torçam por essa possibilidade, mas não tem fundamento ou lógica política achar que o PT, o Psol e os movimentos e eles ligados irão agora desistir do discurso do impeachment.

Tanto não é assim que estão programando uma manifestação para dia 2 de outubro, e trabalham para que seja grande. Vão convidar todos os setores.

Ainda que o quadro da disputa com Bolsonaro possa parecer mais fácil para Lula hoje, os articuladores do seu lado sabem que abandonar a defesa do impeachment representaria um sério abalo de imagem, uma desconexão com os anseios da maioria da população, que hoje, segundo as pesquisas, quer ver o presidente da República pelas costas.

A mobilização, portanto, vai continuar. Até porque tornar o impeachment realidade não está em suas mãos – mas nas do Centrão, e aí são outros quinhentos.

A ausência no último domingo era a atitude óbvia num protesto convocado pelo MBL.

Ou alguém esperava ver Lula no carro de som ao lado do “pixuleco” em que aparece vestido de presidiário e abraçado a Bolsonaro?

Ao responsabilizar o PT pelo fracasso de suas manifestações, a centro direita da terceira via, que conseguiu criar um fato político reunindo os principais pré-candidatos num mesmo palanque, passa um recibo péssimo para sua própria reputação: assume que quem tem o poder de mobilizar as ruas são os petistas e seus aliados.

Como, cinco dias antes, Bolsonaro também mostrara essa capacidade, a conclusão que se tira é de que a terceira via é ruim de rua – o que não é nada bom para quem quer ter um candidato competitivo à presidência.

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