Artesãs mapeiam espécies do cerrado que podem ser utilizadas no artesanato: ‘Riqueza imensa’


Estudo foi realizado em Taquaruçu, distrito de Palmas. As artistas identificaram 61 espécies diferentes que podem ser utilizadas no artesanato. Cerrado concentra parte das nascentes de água do Brasil e de bioma deve ser preservado
Um grupo de artesãs de Taquaruçu, distrito de Palmas, realizou um mapeamento das espécies do cerrado da região. O bioma é o segundo maior do Brasil e ocupa cerca de 90% do território do Tocantins. Durante o trabalho, as mulheres identificaram 61 espécies diferentes que podem ser utilizadas no artesanato. (Veja o vídeo)
Uma das principais características das árvores do cerrado é a forma meio torta como elas crescem. É desses troncos retorcidos e de sementes que as artesãs de Taquaruçu tiram o sustento da família ou complementam a renda da casa.
Com os materiais as artesãs confeccionam os mais variados objetos, como colares, pulseiras e brincos, além de materiais de decoração. Nas mãos delas, tudo acaba virando arte com diferentes formas e tamanhos. Sabendo do valor dessa diversidade toda, elas organizaram o levantamento.
A Bia Jubiart, que é artesã e artista plástica, participou do trabalho e ficou encantada com a diversidade. “A gente quis valorizar o local, destino Taquaruçu. E dar identidade, agregar valor, fomentar a economia com produto natural daqui. Nós temos uma sorte muito grande porque estamos numa serra que está numa zona de transição. E é de uma riqueza imensa, de várias espécies. E muitas delas estão ai na natureza, é só coletar com critérios, tratar e trabalhar”, disse.
Artesã transforma semestes e outros recursos do cerrado em obras de arte
Reprodução
Para realizar o trabalho e colocar esse conhecimento em prática, a associação precisou participar de oficinas e capacitações.
Como é da natureza que as artesãs tiram a matéria-prima para fabricação das peças, preservar o cerrado é importante pra que elas continuem trabalhando. Por isso, no início da época de chuva, as sementes colhidas e não utilizadas serão devolvidas ao meio ambiente.
“É uma obrigação a gente dar essa contrapartida para a natureza. As pessoas, infelizmente, falam muito em sustentabilidade e virou um jargão comercial. Mas o ciclo não se fecha. Nós não estamos sendo sustentáveis. A palavra é bonita, muito aplicada, mas a gente teria que ter mais atitudes sustentáveis. Não adianta ter um discurso e não aplicar “, disse Bia.
Conforme os dados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), no cerrado há 11,6 mil espécies de plantas nativas, muitas delas protegidas por leis que proíbem o corte. Além disso, fazem parte do bioma outras 200 espécies de mamíferos, 800 espécies de aves, 180 tipos de répteis, 150 de anfíbios e 1.200 espécies de peixes.
Mas esse bioma tão rico tem sofrido com desmatamento e queimadas e no Tocantins os incêndios florestais são comuns nesta época do ano. Entre janeiro e agosto desse ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, identificou mais de 31 mil focos de incêndio no cerrado. É o maior número para esse período desde 2012. Só neste ano, o desmatamento do cerrado brasileiro já alcançou uma área equivalente a quase 530 campos de futebol.
A bióloga Silene Lívia Aires, que é mestre em biodiversidade, ecologia e conservação, explique a devastação pode até comprometer os recursos hídricos.
“O cerrado é considerado caixa d’água do Brasil e com a supressão da vegetação a água que incide no cerrado não vai infiltrar, com ajuda das raízes, para alimentar o lençol freático. Isso pode comprometer, e muito, a questão da água das bacias hidrográficas. É uma importância muito grande. O cerrado também alimenta os três maiores aquíferos do mundo. Então preservar o cerrado é preservar a água e preservar a água é vida”, explicou a especialista.
Semesntes típicas do cerrado são utilizadas para a produção de artesanato no Tocantins
Reprodução
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