Diretores de escolas estaduais são afastados em Curitiba por baixa adesão de alunos ao ensino presencial, diz sindicato


Segundo APP-Sindicato, três gestores foram afastados do cargo. Seed diz que processos administrativos são sigilosos. Resolução afirma que retorno às aulas presenciais é facultativo e que decisão cabe aos pais de alunos. Segundo resolução, retorno às aulas presenciais é facultativo.
Divulgação/Seed
Pelo menos três diretores de escolas estaduais foram afastados porque os colégios estão com baixa adesão de alunos no ensino presencial, de acordo com a APP-Sindicato.
Segundo o sindicato, foram afastados os gestores das escolas Jayme Canet, Gabriela Mistral e Bráulio Vicente de Castro, em Curitiba, para abertura de Processos Administrativos Disciplinares.
A Secretaria Estadual de Educação (Seed) não confirmou o motivo dos afastamentos e disse que os processos disciplinares são sigilosos.
A resolução da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) que trata do retorno às atividades presenciais, no entanto, afirma que o retorno às aulas presenciais é facultativo e que a decisão cabe aos responsáveis pelos alunos.
CORONAVÍRUS NO PARANÁ: Veja as principais notícias
ACOMPANHE: Média móvel de mortes e casos no estado
VACINAÇÃO NO PARANÁ: Veja perguntas e respostas
O retorno às aulas aconteceu de forma gradual no Paraná. Depois de mais de um ano em atividades exclusivamente remotas, escolas estaduais passaram a funcionar em formato híbrido em maio de 2021.
Pressão
Segundo a diretora da APP-Sindicato Walkiria Olegário Mazeto, diretores de outras escolas estão sendo pressionados pela secretaria para que incentivem o retorno dos alunos ao ensino presencial, sob a ameaça de abertura de novos processos administrativos.
“Os pais não podem ser obrigados aceitarem o retorno, então essa pressão está recaindo sobre os diretores”, afirmou Walkiria.
De acordo com a diretora do sindicato, a solicitação da secretaria pelo retorno ao ensino presencial desconsidera as características regionais das escolas que podem fazer com que as unidades estejam com baixa adesão.
Uma professora ouvida pelo G1, que não quis se identificar, afirmou que um dos afastamentos aconteceu porque menos de 10% dos alunos estavam comparecendo à escola.
“Na nossa comunidade, muitos alunos se infectaram, há um receio que tem que ser respeitado. Ainda há casos de alunos que precisaram começar a trabalhar e só conseguem fazer isso conciliando com as aulas virtuais”, afirmou.
De acordo com a APP-Sindicato, em geral, cerca de 50% dos alunos voltaram às aulas presenciais e outra metade está acompanhando as atividades pela internet.
De acordo com professores, secretaria exigiu que escola tenha metade dos alunos de volta às salas de aula presenciais
Arquivo pessoal
O sindicato afirma também que existem casos de escolas em que as ferramentas de ensino virtual não estão mais disponíveis aos alunos.
Secretaria quer que pais justifiquem escolha
O diretor de Educação da secretaria, Roni Miranda, afirmou que a rede estadual continua oferecendo as aulas pela internet e que não há um índice de presença exigido pelo governo às escolas, mas que o objetivo da secretaria é fazer com que “o maior número possível de alunos volte para as salas de aula”.
No início de agosto, um ofício foi enviado pela Seed aos chefes de núcleos regionais orientando que fosse exigida uma justificativa por escrito dos pais ou responsáveis que não autorizarem o retorno presencial dos alunos.
Caso a justificativa não esteja relacionada a comorbidades dos alunos ou familiares, o ofício determina que os casos sejam encaminhados para a Rede de Proteção do município para que as famílias sejam orientadas a optar pelas aulas presenciais.
“Caso não exista uma comorbidade ou um atestado que justifique o afastamento daquele aluno, nós estamos tentando fazer com que os estudantes retornem. Primeiro, convidamos que os responsáveis visitem a escola. Depois, vamos acionar a Rede de Proteção para identificar se existe algum problema atrelado a essa recusa”, afirmou.
Medo do retorno
Alguns pais, no entanto, têm medo do retorno das atividades presenciais.
Daniele Maccarini, mãe de dois alunos da Escola Estadual Brasilio Vicente de Castro, em Curitiba, afirma que gostaria de manter os filhos no ensino remoto por mais tempo.
“Estou me sentindo pressionada dia após dia. Mas me foi dada uma opção, e eu quero proteger, dentro do possível, a minha família. Daqui a pouco vamos vacinar os adolescentes. Não entendo porque isso está sendo feito desta forma”, disse.
De acordo com Daniele, por não estarem indo à escola, os filhos dela não poderão realizar as atividades do Prova Paraná, uma avaliação obrigatória feita pelo governo estadual para avaliar o aprendizado dos alunos da rede estadual.
Segundo o diretor da Seed, Roni Miranda, os alunos que estão realizando atividades remotamente poderão fazer a prova após a aplicação do exame presencial.
Pressa
Para Miranda, o retorno dos alunos ao ensino presencial é uma prioridade devido à dificuldade de garantir qualidade ao aprendizado de maneira remota.
“A aprendizagem fica comprometida se não tem a relação do aluno e do professor, dos estudantes entre si. Remotamente, os alunos podem estar respondendo às atividades, mas a qualidade deste ensino é diferente”, afirmou.
VÍDEOS: Mais assistidos do G1 PR
Veja mais notícias da região em G1 Paraná.
Adicionar aos favoritos o Link permanente.

Os comentários estão desativados.