Filhos denunciam a própria mãe por dopar, ferir e castrar quimicamente servidor do Banco Central

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga denúncias de maus-tratos, lesão corporal e cárcere privado cometidos por uma mulher contra o próprio companheiro, um servidor aposentado do Banco Central (Bacen), de 49 anos. Vídeos, fotos e uma série de documentos foram juntados por três irmãos, filhos da suposta autora e enteados da vítima. O inquérito foi instaurado na 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul).

O caso veio à tona após viatura da Polícia Militar e ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) serem acionadas para socorrer o servidor, em 8 de setembro. Na delegacia, as testemunhas, filhas de Maruzia das Graças Brum Rodrigues, 53 anos, contaram que a mãe dopava e agredia o parceiro, além de obrigá-lo a tomar medicamentos usados para castração química. A motivação da mulher seria controlar a aposentadoria do analista do Bacen, com vencimentos próximos de R$ 23 mil.

Os enteados esperaram o momento em que Maruzia se submeteria a procedimentos de cirurgia plástica em um hospital no DF para visitar o padrasto e descobrir em que condições ele vivia. Grogue e prostrado em uma cama, o homem não conseguia falar com coesão e apresentava hematomas e lesões nos braços, segundo Mayana Brum Pereira, uma das enteadas do servidor aposentado. A fim de preservar a vítima, o Metrópoles optou por não identificá-la.


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Superdosagem de Rivotril

Mayana contou que sua mãe casou-se com o então analista do Bacen em 2002. Pontuou ainda que ele sempre foi uma pessoa ativa, sem qualquer problema físico ou mental. O servidor, no entanto, aposentou-se em 2019, depois de ser diagnosticado com alienação mental. “Após isso, minha mãe deu um jeito de subjugá-lo, tomar o controle de todo o dinheiro e passou a dopá-lo e retirar qualquer meio de comunicação dele com o mundo exterior”, disse.

Apesar dos altos rendimentos, a vítima não teria direito a usar celular, roupas limpas, nem comer nada além de arroz, feijão e lasanha congelada. “Nem desodorante e xampu ele pode usar, pois não tem acesso a nenhum dinheiro. Quando ele tenta falar algo, é enforcado por ela, como alguns parentes já presenciaram. Meu padrasto foi esfaqueado no braço pela minha mãe, que simplesmente espera que ele morra para ficar com a pensão”, afirmou.

Segundo a enteada do aposentado, havia pelo menos 13 frascos de Rivotril no imóvel que o casal mora, muitos deles vazios. “Quando a equipe do Samu chegou ao apartamento, constatou que uma superdosagem medicamentosa havia sido ministrada. Temos a suspeita de que ele tenha sido obrigado a tomar dezenas de pílulas em um curto período de tempo. Sem falar os remédios usados para a castração química”, relatou a filha da acusada.

Lista de desejos

Uma empregada doméstica que trabalhava no amplo apartamento do casal, em Águas Claras, e presenciou os maus-tratos cometidos por Maruzia contra o companheiro, também foi ouvida em termo de declaração. Ela revelou ter visto vestígios de respingos de sangue no travesseiro e pelo chão do imóvel. As manchas teriam sido lavadas, mas a funcionária percebeu o ferimento no braço do aposentado.

Os episódios ficaram mais evidentes após Maruzia e o companheiro terem deixado Portugal, onde estavam morando desde 2020. Eles retornaram ao Brasil para apresentação de prova de vida dele a fim de manter o pagamento da aposentadoria pelo Bacen. “Com o passar dos anos, os maus-tratos e as agressões severas foram aumentando juntamente com a quantidade de remédios para dopá-lo. A situação do meu padrasto é tão cruel e humilhante que ele escreveu em uma folha de papel uma espécie de lista de desejos”, explicou Mayana.

Na relação escrita pelo aposentado, estão objetos simples, ainda mais para quem tem vencimentos superiores a R$ 20 mil. São peças de vestuário, como meias, cuecas; equipamentos, como pendrive, fones de ouvido, mouse, teclado, computador, aparadores de pelos; acesso a serviços de streaming; e um aparelho celular.

Busca e apreensão

Os três filhos de Maruzia acionaram a Justiça solicitando o deferimento de um pedido de busca e apreensão do aposentado em tutela de urgência e retirando a guarda mantida pela atual companheira. Para garantir o andamento do processo com todas as partes em solo brasileiro, o Judiciário oficiou à Polícia Federal determinando o bloqueio do passaporte do ex-analista do Bacen, evitando que ele seja tirado do país.

A reportagem não localizou a defesa de Maruzia para comentar a acusação dos filhos. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.

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