Oito dos nove pacientes com suspeita da ‘doença da urina preta’ precisaram de internação no Ceará


Nota técnica da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) afirmou ainda que dois pacientes precisaram ir para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Tambaqui (foto), badejo, arabaiana ou crustáceos, como lagosta, lagostim e camarão podem apresentar a toxina que causa a doença.
Terra da Gente/Arquivo Pessoal
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) divulgou uma nota técnica nesta quarta-feira (15) em que afirma que oito dos nove pacientes com suspeita da Doença de Haff, conhecida popularmente como “doença da urina preta” precisaram de internação hospitalar e um foi acompanhado em ambulatório.
De acordo com o documento, dois pacientes necessitaram de cuidados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), uma mulher de 24 anos e um homem de 81 anos. Nenhum dos casos evoluiu para forma grave ou óbito.
Em relação aos meses de notificação, seis pacientes foram notificados no mês de julho e três foram notificados no mês de agosto.
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De acordo com o Ministério da Saúde, a Doença de Haff é causada por uma toxina que pode ser encontrada em peixes como o tambaqui, o badejo, a arabaiana ou em crustáceos, como a lagosta, o lagostim e o camarão.
A toxina, sem cheiro e sem sabor, surge quando o peixe não é guardado e acondicionado de maneira adequada. Quando ingerida, ela provoca “destruição das fibras musculares esqueléticas e libera elementos de dentro dessas fibras no sangue, ocasionando danos no sistema muscular e em órgãos como os rins”, segundo o Ministério.
Perfil dos casos
VÍDEO: conheça a doença da urina preta
Conforme a Secretaria da Saúde cearense, dos nove casos suspeitos, quatro são homens e cinco são mulheres, com idade média de 51 anos. Os principais sintomas observados, conforme a pasta, foram a urina preta, mialgia na região cervical, nos membros inferiores e superiores, além de dores articulares.
A Doença de Haff pode provocar sintomas entre duas e 24 horas após o consumo do animal infectado. Ela provoca extrema rigidez muscular, também podendo causar dor torácica, dificuldade para respirar e dormência.
Tratamento e prevenção
O Ministério da Saúde aponta que a hidratação é “fundamental nas horas seguintes ao aparecimento dos sintomas, uma vez que assim é possível diminuir a concentração da toxina no sangue, o que favorece sua eliminação através da urina”. Em casos mais graves, pode ser preciso fazer hemodiálise.
Na maioria das vezes, o quadro costuma evoluir bem, mas há risco de morte, especialmente em pessoas com comorbidades. O indicado é procurar ajuda logo após o aparecimento dos primeiros sintomas para que o diagnóstico seja feito o mais rápido possível.
Não há nada específico que possa ser feito para evitar a enfermidade. Não existem formas de identificar a toxina: ela não tem cheiro, gosto ou cor e não desaparece após o cozimento da carne. A indicação é reduzir o consumo de peixes ou comprá-los em locais onde se conhece o processo de transporte e guarda.
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