“Quero fazer algo relevante, algo verdadeiro”, afirma Juliana James

Juliana James faz o relançamento de “Ser diferente é legal”, agora em versão com capa dura e inserção de QR Code para ouvirmos as músicas e a narração da história – Foto Divulgação

Lançado em 2018, “Ser diferente é legal” (Paratexto, 28 páginas) representa um marco na trajetória profissional da escritora e professora de teatro Juliana James. É com ele que as portas para contação de histórias em escolas não só de Juiz de Fora, mas também de cidades da região, começaram a se abrir para ela. Tem também o fato de Enzo, o protagonista do livro, ser um garoto encantador e cheio de sonhos, e sua vontade de voar cada vez mais alto arrebatou de vez o coração dessa autora.

Prova disso é que Juliana decidiu fazer o relançamento da obra. “Ser diferente é legal” acaba de chegar às mãos dos leitores com capa dura, modificações no texto, novas ilustrações e inserção de QR Code para que a garotada possa ouvir as músicas compostas especialmente para a história do Enzo e acompanhar a narração.

“Tornei o texto mais fluido. Escrevi as poesias que o Rogério (Rogério Nascimento) transformou em música e disponibilizamos para as crianças. Comecei a perceber que a contação ficou mais gostosa e fluente do que o livro. Todo mundo gostava de ouvi-la. Então, tentei reproduzir o que acontecia na apresentação. Eu ficava preocupada, pensando que tinha me alongado demais no texto da primeira versão. Sem contar que o livro acabou. A gente sempre faz uma quantidade de exemplares pequena. Eu tinha feito mil exemplares dele, distribui alguns para o Instituto Aviva, para professores e para bibliotecas e fiquei com desejo de refazê-lo, aplicando ali alguns ensinamentos que aprendi depois que comecei a estudar”, comenta Juliana, referindo-se à pós-graduação em Literatura Infantil e Juvenil, concluída durante a pandemia.

Entre as obras com as quais Juliana teve contato na especialização e que foram decisivas para uma mudança de olhar em relação à literatura infantil estão os originais de Hans Christian Andersen. “Ao ter contato com os originais, você vê a riqueza das histórias, e elas chegam até nós, muitas vezes, adaptadas. Percebemos como as histórias infantis eram ricas e como o autor não tinha medo de falar com a criança sobre qualquer assunto. Gosto de falar de assuntos que são meio que tabus, e eu sempre estava tomando muito cuidado com meus textos, com medo do que as pessoas iriam falar”, afirma ela, confidenciando o que ela quer realizar com sua arte. “Eu quero fazer algo relevante, quero fazer algo verdadeiro.”

“Era uma vez um menino de sorriso no olhar”

Os primeiros versos da canção escrita por Juliana e entoada por ela e pelo marido, Rogério Nascimento, descrevem o protagonista de “Ser diferente é legal”. “Era uma vez um menino de sorriso no olhar”. Enzo é exatamente assim. Um garoto de 8 anos, sorridente, alegre, corajoso e forte. “Eu queria encontrar um lugar, um cantinho onde poderia ser igual e viver como um passarinho”, diz outra música. E ele encontrou esse lugar, lá em 2017, nas aulas de teatro capitaneadas por Juliana.

Por ser cadeirante, precisou enfrentar algumas dificuldades no início, mas a vontade de seguir em frente falou mais alto, e logo foi conquistando o carinho dos amigos. Como uma de suas marcas registradas, Juliana pegou essa história real vivida com Enzo e outros alunos da turma, misturou um pouco de ficção e a levou para as páginas do livro.

“Quando eu era criança, eu tinha mais ou menos uns dez anos, colocaram na minha turma de teatro dois meninos com Síndrome de Down, e eles viraram meus amigos, Mauro Marcolino e o Ricardo Stenner. Esse contato com eles foi tão importantne pra mim que, quando me tornei professora, foi natural receber um menino com autismo ou com qualquer outra deficiência física, como é o caso do Enzo.”

“Ser diferente é legal” e parece que a meninada tem entendido bem essa mensagem. “Quando o Enzo entrou na turma, as crianças pensavam, e é o que normalmente muitos pensam, que nós estávamos ajudando as pessoas com algum tipo de deficiência, e, na verdade, são elas que estão ajudando a gente. O Enzo ajudou aquelas crianças a serem mais acolhedoras, e é disso que o mundo precisa. Acho importante demais falar sobre isso, lutar para que as escolas sejam cada vez mais inclusivas.”

“Ser diferente é legal”

Autora: Juliana James

Editora: Paratexto (28 páginas)

Ilustradora: Giovanna Martins

 

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