Bispo polonês pede conversão para gays, mas volta atrás: “é um equívoco”

Um bispo polonês insistiu que é um “equívoco” que a igreja deseja forçar as pessoas LGBTQIA+ a uma terapia de conversão, apesar de pedir a criação de clínicas de terapia de conversão apenas alguns dias antes.

Segundo o Pink News, depois de uma Conferência Episcopal Polonesa, um bispo polonês produziu um documento de 27 páginas delineando sua posição sobre as questões LGBT. Incluía a alegação de que é “necessário criar clínicas [de terapia de conversão] para ajudar as pessoas a recuperarem sua saúde sexual e orientação sexual natural”.

“Essas clínicas também fazem sentido quando a transformação sexual completa é muito difícil”, continuou, “porque ainda podem ajudar os psicossexuais a lidar com desafios significativos”.

O documento foi o mais recente de uma série de ataques contra a comunidade LGBT pela igreja católica polonesa e gerou uma reação considerável. Mas em uma declaração de 2 de setembro, o Bispo polonês Józef Wróbel, bispo auxiliar da Arquidiocese de Lublin e presidente do comitê de bioética da Conferência Episcopal da Polônia, disse que era um “equívoco” sugerir que os bispos queiram coagir as pessoas em “terapia”.

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De acordo com o Catholic Herald, ele disse que a recomendação era dirigida apenas àqueles “que procuram essa ajuda e a pedem, porque experimentam o sofrimento por causa de suas inclinações”.

A chamada “terapia de conversão” refere-se à prática perigosa e desacreditada de tentar mudar a orientação sexual ou identidade de gênero de uma pessoa. Ela foi rejeitada por todas as principais organizações médicas e de saúde mental por décadas, é frequentemente comparada à tortura além de ser associada a maiores riscos de depressão, suicídio e dependência de drogas.

O fato de que a terapia de conversão, mais conhecida como cura gay, está “claramente em contradição” com a evidência científica foi reconhecido na Conferência Episcopal, mas o Bispo Wróbel sustentou que é eficaz. Ele disse: “Em casos raros, a transformação é possível sob duas condições, a saber, que a pessoa LGBT deve realmente desejar tal mudança (geralmente fazendo um esforço heroico direto nesta direção) e ainda não tenha tido experiência sexual homossexual”.

“Essa ajuda não é possível se, no ponto de partida, a pessoa adota a atitude de que essa inclinação é natural, desejada pelo Criador, e deve ser aceita”. As Nações Unidas compararam a terapia de conversão à tortura e há muito clama por uma proibição global. Mas o bispo se opôs, insistiu que a proibição de tais terapias não “faz sentido”.

O bispo polonês reforça: “Na prática, tal posição não faz sentido, porque significa que a ONU exige controlar quem vai ao psicólogo e para que finalidade, ou quem vai à Igreja, quem confessa e o que confessa”.

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