Caixa eleva percentual de comprometimento de renda em financiamento imobiliário com correção pelo IPCA

A Caixa Econômica Federal anunciou o aumento para 22% do percentual de comprometimento de renda para os mutuários que financiarem imóveis em linhas corrigidas pela inflação oficial — o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Antes, o limite máximo era de 20%. O banco informou que a nova condição terá vigência para financiamentos concedidos a partir de 1º de setembro de 2020.

As taxas de juros nesta modalidade de financiamento são mais baixas do que nas linhas prefixadas, como a TR. Na correção pelo IPCA, os juros variam de 2,95% a 4,95% ao ano.

As taxas de juros da modalidade geralmente são mais baixas Foto: Brenno Carvalho

Apesar disso, especialistas alertam que a taxa de juros atrelada à inflação pode ser um risco a longo prazo. O prazo de pagamento de até 30 anos, com quota de financiamento de até 80% do valor total do imóvel, e contratação com sistema de amortização SAC ou Price.

Ana Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, avalia que o movimento da Caixa está ligado à tentativa de aumentar o acesso à modalidade de crédito e inserir mais pessoas no financiamento imobiliário com a linha IPCA. Ou seja, quanto menor o percentual de renda exigida para o financiamento, maior é o salário necessário para a aprovação do crédito.

— Em uma simulação de crédito de R$ 300 mil para a compra de um imóvel, com correção pelo IPCA, supondo taxa de 4%, o comprometimento de renda com percentual de 20% exige uma renda R$ 9 mil para a aprovação no banco. Já com comprometimento de 22%, a exigência cai para R$ 8.200. Isso insere mais pessoas. A renda mais alta limita muito o grupo de pessoas que pode ter acesso ao crédito — observa Castelo.

Durante um evento virtual, promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o presidente do banco, Pedro Guimarães, informou que o percentual pode ser elevado mais uma vez, para 25%. Segundo ele, o movimento de mercado está sendo avaliado pelos diretores do banco.

A linha de crédito imobiliário com correção pelo IPCA opera há um ano e tem limite de comprometimento de renda inferior ao das linhas prefixadas (onde os juros são definidos na assinatura do contrato e não variam). No crédito imobiliário prefixado, o mutuário pode comprometer até 30% da renda com as prestações.

Veja na simulação um comparativo da renda necessária para financiamento de imóvel no valor de R$ 300 mil pelo sistema de amortização SAC:

Crédito imobiliário

No acumulado de 2020, a Caixa emprestou cerca de R$ 20 bilhões nas linhas operadas com recursos o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O montante equivale a quase o total do ano passado, quando o banco emprestou R$ 26,6 bilhões em crédito imobiliário com recursos do SBPE.

Para Pedro Guimarães, apesar da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, o desempenho nos oito meses do ano permite afirmar que o banco fechará o ano com crescimento no crédito imobiliário.

Veja as condições em outros bancos

O Banco do Brasil oferece a linha do IPCA com taxas de juros a partir 3,45% ao ano. O financiamento é de até 80% para imóveis, com valor mínimo de financiamento de R$ 20 mil e máximo de R$ 5 milhões. O BB oferece o chamado “mês-pula”, em que o mutuário pode escolher um mês por ano sem cobrança da parcela, que é diluída ao longo do cronograma da operação. Todas essas condições são válidas para contratos novos e também na portabilidade para o BB.

O Santander não oferece financiamento imobiliário com correção pelo IPCA. O índice do crédito para compra de imóveis no banco é a Taxa Referencial (TR). As operações, no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), são oferecidas com valor dos imóveis entre R$ 90 mil a R$ 1,5 milhão. O banco financia até 80% do imóvel com comprometimento de até 35%, em até 35 anos. As taxas de juros variam de 6,99% a 10% ao ano.

O Itaú não trabalha com crédito imobiliário com correção pelo IPCA. A taxa de juros mínima é de 7,3% ao ano (mais Taxa Referencial). O percentual de financiamento vai até 82% do valor do bem, e o prazo de pagamento é de 30 anos.

Com Agências

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