Comunidade se mobiliza contra privatização de praça na Trindade

Em Florianópolis, um grupo de moradores do bairro Trindade está promovendo uma ação nas redes sociais em defesa de uma área pública que foi ocupada de forma irregular há três anos. Trata-se de uma parte da Praça Atílio Ferreira, entre as ruas Presidente Gama Rosa e Juvêncio Costa, um antigo terreno baldio transformado em espaço de lazer por iniciativa da própria comunidade, há cerca de 10 anos.

O espaço virou Praça Atílio Ferreira em 2006, reconhecida em Lei pela Câmara de Vereadores, onde os moradores construíram um “Campinho Canino”, frequentado por cerca de 50 famílias, incluindo crianças e idosos, com seus pets, de todos os tamanhos e raças.

Desde 2010, um grupo de voluntários faz a manutenção do espaço, providenciando limpeza e poda das árvores, arcando com custos de roçagem e dedetização do gramado, abastecendo bebedouros, e promovendo festas comunitárias Junina, de Carnaval, Halloween. Há alguns meses, os voluntários convocaram grafiteiros para embelezar os muros laterais e montaram composteiras para reduzir uso de plástico na coleta de fezes caninas e diminuir o despejo de lixo orgânico no aterro sanitário da cidade.

(Foto: divulgação)

Há três anos, no entanto, um grupo de moradores passou a ocupar parte da praça como área privada, tomando conta do espaço e regulando a entrada e circulação de pessoas. Segundo as denúncias que vem sendo feitas, construíram um barraco com banheiro, cozinha e churrasqueira, onde passam os dias jogando cartas e bebendo álcool. O acesso é restrito a associados selecionados, mediante pagamento de mensalidade.

Todas as etapas da invasão estão registradas no processo, ano a ano, pelos satélites do Google Earth. Com interferência política de vereadores em busca de voto, a ocupação ganhou legitimidade e ainda recebeu uma área ainda maior, que correspondente à metade do lote. No espaço ampliado, eles pretendem construir uma cancha de bocha de uso privativo. A obra ainda não saiu do papel por falta de verba, que, no entanto, pode chegar a qualquer momento, oriunda de uma emenda ao Orçamento da União proposta por um deputado que seria cunhado do atual presidente do “clube privado”.

Moradores também contam que, desde que a polêmica chegou na Justiça, ocorreram agressões fisicas, tentativas de envenenamento de animais e intimidação aos frequentadores, especialmente as mulheres.

(Foto: divulgação)

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