Covid-19: Especialistas alertam para risco de contaminação em mochilas de entregas no chão

Nas imagens flagradas pela EPTV, afilada da TV Globo, um entregador passa a máscara na bag; empresas e estabelecimentos garantem que orientações de prevenção são passadas aos funcionários. Mochilas de entregadores não podem ser colocadas no chão para evitar contaminação da Covid

O sistema de entregas vem sendo utilizado como forma de evitar o risco de contágio do coronavírus durante a pandemia. Entretanto, imagens flagradas pela EPTV, afiliada da TV Globo, mostram um efeito contrário do serviço ao expor os clientes à contaminação. Isso porque vários motoboys de Campinas (SP) aparecem deixando as bolsas, as chamadas bags, no chão, onde pode haver micropartículas do vírus, segundo especialistas.
Entre as situações, uma chama mais a atenção: no Chapadão, um entregador coloca a bag no chão para telefonar, enquanto abre e fecha a bolsa passando a máscara nela. Depois, coloca o equipamento nas costas e vai embora.
Biomédico e microbiologista, Alexandre Veronez explicou como a contaminação pode ocorrer com essa prática. “Ao falar, ao espirrar ou ao tossir, a gente acaba expelindo micropartículas que vão sendo depositadas no chão. Então, se esse motoboy colocar a bag no chão, tem a possibilidade de ele pegar essa micropartícula, esse vírus e trazer na bag dele”, relata.
“Ele pode contaminar a roupa e principalmente as mãos, ao manipular essa bag. Daí, vai contaminar as embalagens e os alimentos, automaticamente”, disse.
Especialistas alertam que mochilas de entrega podem ser contaminadas em contato com o chão

Já a chefe do setor de Vigilância Sanitária de Campinas, Anne Dutra, alerta que a responsabilidade de evitar que isso aconteça é de todas as partes envolvidas durante o processo de entrega de um produto. “O estabelecimento tem que prover de uma superfície limpa, para que o entregador consiga colocar a bag nessa superfície e, então, colocar o produto dentro da bolsa”, explica.
“Quando eu falo da parte de consumidor, o consumidor também é corresponsável. Quando ele for receber esse produto, é recomendável que ele também disponibilize um banco ou uma cadeira, para que o entregador coloque essa bolsa e consiga tirar o pedido de dentro”, complementa Anne Dutra.
Acostumada a fazer compras através dessa plataforma durante a pandemia, Regina Zorzetto destaca os cuidados que toma ao receber as mercadorias.
“A gente tenta ter todos os cuidados possíveis. Se o risco é reduzido a quase zero com o uso de máscara e com a higienização, a gente tenta cumprir nosso papel. Acho que é a única forma de tentar ficar longe desse vírus.”
Regina higieniza os produtos que recebe por delivery

O que dizem os envolvidos
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) diz que desenvolveu um programa com práticas de segurança, proteção e limpeza e que tudo isso foi entregue aos estabelecimentos.Além disso, reforçou que todos devem ser orientados sobre a higienização, a não colocar as bolsas no chão e realizar a limpeza após cada entrega.
O iFood, empresa de delivery, informou que manda recomendações sobre as práticas de prevenção e entrega segura por SMS, WhatsApp, e-mail e pelo próprio aplicativo, além de oferecer itens de proteção individual (EPIs) e álcool em gel.
Já o Uber Eats falou que a segurança sempre foi uma prioridade e se tornou ainda mais importante durante a pandemia. A empresa também reforçou que fez campanha de conscientização para clientes e entregadores parceiros.

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