Decretada prisão preventiva de homem que matou professora em escola

A Vara do Tribunal do Júri da Capital confirmou na tarde desta quinta-feira (20), a prisão preventiva de um homem detido sob suspeita de matar a ex-companheira a facadas dentro da escola onde ela trabalhava como diretora, em Florianópolis. Em audiência de custódia realizada no Fórum da Capital, a juíza Paula Botke e Silva apontou que há prova da materialidade e indícios suficientes de autoria. Assim, a prisão em flagrante foi considerada válida e convertida em preventiva em relação aos crimes de feminicídio, tentativa de homicídio qualificado, cárcere privado e resistência.

Na decisão, a magistrada destaca os relatos dos policiais militares envolvidos na ocorrência. De acordo com os agentes, pessoas que estavam presentes na cena do crime afirmaram que o conduzido chegou a manter a vítima trancada no banheiro por aproximadamente 30 minutos. Nesse momento, um homem que tentou ajudá-la acabou sendo esfaqueado no braço, o que justificou também o enquadramento do conduzido por tentativa de homicídio. Os policiais ainda destacaram a necessidade de fazer uso progressivo da força para rendê-lo, uma vez que ele resistiu à prisão e tentou instigá-los para que atirassem em sua direção.

A juíza também considerou os relatos de familiares da vítima, no sentido de que o acusado constantemente ameaçava aos filhos dela, já que eles não aceitavam o relacionamento amoroso por entenderem como um caso abusivo. “As ações em tese perpetradas pelo conduzido causam perplexidade, não apenas pelo trágico resultado e sua repercussão desde o ocorrido em toda a comunidade, mas também pelo seu elevado grau de periculosidade, já que não hesitou invadir uma escola, local de trabalho da ofendida, para subjugá-la e depois tirar sua vida, mesmo com diversas pessoas tentando impedir o infeliz resultado, o que deixa a evidenciar seu comportamento delinquente fora da normalidade, merecendo providência enérgica para que se mantenha incólume a ordem pública”, escreveu a magistrada.

A decisão destaca a prisão preventiva como necessária a resguardar a integridade física e psicológica dos familiares da vítima, que já se sentiam ameaçados pelas atitudes do conduzido, agravadas pela brutal conduta praticada. Conforme a juíza, há real possibilidade de que o custodiado influencie na prova judicial investindo contra tais pessoas. O propósito da audiência de custódia desta quinta-feira foi de exclusivamente decidir pela manutenção ou não da prisão e verificar se houve eventual abuso na ação policial, o que foi negado pelo conduzido. Ele não teve de se manifestar sobre a autoria dos fatos. Também participaram representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública do Estado. O processo corre em segredo de justiça.

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