Desocupação de imóveis comerciais no Rio mais do que dobra durante a pandemia

A taxa de desocupação de imóveis comerciais no segundo trimestre mais que dobrou em relação ao primeiro trimestre, durante o período de isolamento social. O Centro da cidade foi o bairro que teve maior impacto nas desocupações em razão de concentrar boa parte das salas comerciais da cidade. O segundo mais impactado foi Del Castilho, seguido por Vila Isabel, Tijuca. Os dados são de uma pesquisa da Apsa, uma das maiores empresas de gestão de condomínios do país.

De um total de cerca de 40 mil imóveis comerciais ocupados, 2,46% perderam seus inquilinos em abril. O número subiu para 2,84% em maio e, em junho, 3,06% destes imóveis foram desocupados.

Em meio à pandemia, os imóveis comerciais foram devolvidos pelos locatários no período de isolamento social e estão fechados, agora, no momento de flexibilização e reabertura.

— Somente conseguiram se manter aqueles que dispunham de capital de giro mais elevado, que pudesse bancar esse período com faturamento baixo, ou, zerado. A solução de alguns foi reduzir ao máximo as de despesas que podiam, mas outros optaram em fechar o negócio imediatamente, antes que o acúmulo de dívidas se elevasse a níveis insuportáveis, comprometendo a sobrevivência das próprias famílias. Outros tiveram êxito na migração do trabalho da empresa para o home office — avalia Jean Carvalho, gerente de imóveis da Apsa.

Foi o caso do escritório em que trabalha o advogado Leandro Sender, especializado em direito imobiliário. A empresa decidiu reduzir o espaço de trabalho físico na medida em que a operação e funcionamento deram certa de maneira remota. Eles também decidiram que vão mudar de bairro. Segundo ele, se o contrato estiver em vigor e houver previsão de multa por rescisão, será preciso negociar:

— Muitos escritórios perceberam que não precisam do espaço físico tão grande porque, em muitos casos, o trabalho remoto está dando certo. Mas é necessário analisar o contrato de locação cuidadosamente, e verificar se há previsão de pagamento de multa. Ou tentar negociar as condições para permanecer no imóvel, pelo menos até o fim do contrato — explica o advogado.

A pesquisa da Apsa também verificou que cresceu o volume de negociações de condições do aluguel de imóveis comerciais, na tentativa de manter o inquilino e o contrato em vigor evitando que o local fique fechado:

— O movimento de negociações de alugueis foi bastante forte, sendo que 70% dos imóveis tiveram negociação. O desconto médio obtido chegou a 50%, na nossa última estatística. Cerca de 15% das negociações obtiveram desconto de até 100% de pelo menos um aluguel, e 20% das negociações foram para diluição dos aluguéis que não foram pagos durante este período. Essa diluição será cobrada junto com os vencimentos a partir de julho — ressalta Jean Carvalho.

No perfil dos imóveis desocupados na capital do RJ, é possível perceber que em 70,66% dos casos são salas comerciais, em seguida 26,67% por lojas e 2,67% de galpões. Os bairros da Barra da Tijuca e do Recreio, que iniciaram uma recuperação da locação comercial no início do ano, agora voltaram a registrar os chamados edifícios fantasmas com todas as salas desocupadas:

— Na Barra e Recreio já estava difícil para o proprietário conseguir alugar o imóvel porque se construiu demais sem que houvesse uma demanda proporcional. Agora, veio a crise e ainda havia muitos imóveis vagos que agora são são verdadeiros prédios fantasmas — observa Edison Parente, vice-presidente da administradora Renascença.

Para os especialistas, o que se espera é que no quarto trimestre haja uma estabilização nas desocupações, mas a recuperação ainda vai depender do nível da retomada econômica, que passa pelo reaquecimento da economia e recuperação dos índices de desemprego.


Com Agências

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