Duas semanas depois de explosão, Líbano adota lockdown parcial para conter avanço da Covid-19

Pouco mais de duas semanas depois da catastrófica explosão que deixou 179 mortos, mais de 6 mil feridos e devastou parte da capital e maior cidade do Líbano, Beirute, as autoridades locais colocaram em prática novas medidas para controlar o avanço da Covid-19 no país.

Na quinta-feira, foram registradas 613 novas infecções, o número mais alto desde o início da pandemia, confirmando uma tendência de aumento das notificações — resultado direto do caos provocado pela explosão no porto da cidade, que deixou 300 mil pessoas desabrigadas.

— A situação é insustentável — afirmou o ministro interino da Saúde, Hamad Hassan, em entrevista a rádios locais na segunda-feira, quando anunciou as ações que seriam tomadas para tentar conter o avanço de casos.

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Locais com potencial para aglomerações, como mercados públicos, centros comerciais, academias e piscinas serão fechados. O aeroporto Hafic Hariri permanecerá aberto, porém com testes PCR a todos que chegam e partem de lá. Um toque de recolher entre as 6 da tarde e 6 da manhã também estará em vigor a partir desta sexta-feira.

Com hospitais parcialmente destruídos pela explosão, com o grande número de feridos — cerca de 6 mil — e com as recomendações de distanciamento social muitas vezes impossíveis de cumprir diante do caos nas ruas da cidade, o número de infecções pelo novo coronavírus disparou nas últimas semanas, especialmente entre os profissionais de saúde.

— Antes da explosão, o número total de casos ficava entre 5 e 6 mil, agora estamos perto de 10 mil — afirmou Iman Shankiti, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS), à rádio Voz do Líbano. — Nas últimas duas semanas, o total (de casos) é igual ao registrado de fevereiro até o dia da explosão.

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De acordo com a Universidade Johns Hopkins, que agrega números da pandemia em todo o mundo, o Líbano tem 10.952 casos registrados e 113 mortes em uma população de 6,8 milhões de pessoas.

— Voltamos à estaca zero — afirmou Hamad Hassan, nesta sexta-feira, se referindo às medidas de controle, válidas para todo o Líbano. De acordo com a agência Reuters, o número de pessoas nas ruas de Beirute já era menor horas antes do início do toque de recolher. Para as autoridades, além de ajudar a reduzir as novas internações, o pouco movimento vai ajudar no trabalho de limpeza dos escombros.

A explosão do dia 4 de agosto no porto de Beirute, que chegou a ser registrada por serviços de sismologia e sentida até no Chipre, a mais de 200 km de distância, deu tons catastróficos à já complicada situação política, social e econômica do Líbano.

Em meio a longas e aparentemente sem solução disputas políticas, o país vive uma crise econômica que jogou boa parte da população na pobreza, que mesmo antes dos trágicos eventos do começo do mês não via saída próxima para os problemas, agravados também pela pandemia do novo coronavírus. No dia 10 de agosto, o governo do premier Hassan Diab renunciou, mas ainda não há data para uma nova eleição.

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