Macuco que “reapareceu” na ilha de SC é ave solitária, de ovos azuis e canto belíssimo

Dentre as principais características do macuco estão os ovos azuis, hábitos solitários e reservados (a ave vive em regiões afastadas e só fica em casal durante reprodução). Entretanto o seu principal traço é o canto piado, um dos mais lindo entre as aves, e que infelizmente a torna um dos principais alvos da caça ilegal.

A ave ameaçada “reapareceu” na ilha de Santa Catarina após 21 anos sem registros científicos da sua presença, conforme divulgado pelo Projeto Fauna Floripa na última semana.

Já na ilha de Santa Catarina há apenas dois registros científicos da presença do macuco, publicados no livro “As Aves da Ilha de Santa Catarina”, organizado pelos autores Luciana Naka e M. Rodrigues, e publicado pela Editora UFSC.

Em outubro de 1997, o macuco foi registrado (é impreciso se ele foi visto ou ouvido) próximo a um córrego, no morro da Lagoa da Conceição. Já no ano seguinte o seu canto foi escutado na região, no final de uma tarde de setembro.

“Reencontro”

Mesmo com o crescimento de ornitólogos e observadores na região, durante 21 anos não houve registro da presença do macuco em solo manezinho, destaca Rosário. É intrigante encontrá-lo novamente na ilha de Santa Catarina.

Haveriam mais?

Ainda não se sabe se haveriam outros macucos na região ou se a ave registrada pelas câmeras do projeto está sozinha na ilha. A questão será pesquisada pelo projeto nos próximos meses e é fundamental para esclarecer os motivos do reaparecimento da ave.

Como o macuco não tem capacidade de voo, é pouco provável que ele tenha chegado à ilha voando. Menos ainda que ele tenha atravessado as três pontes que conectam a região continental à pé.

Entrando, no campo das possibilidades, o macuco pode ter fugido de algum cativeiro ou ter sido solto por caçadores, explica Rosário. O mesmo destino pode ter acometido os dois macucos encontrados na década de 90.

“Nessa época já havia sido criada Polícia Militar Ambiental, o que resultou em muitas solturas. Muitas espécies que se introduziram e integram a fauna da ilha”, destaca.

“Assim não podemos dizer que é uma espécie extinta na ilha, pois não sabemos se já viveram aqui. O meu questionamento é que tem muitos observadores na ilha. Se não haviam aparecido, pode ser que seja um indivíduo de fuga”, detalha a pesquisadora.

Mas Rosário também não descarta a possibilidade de que exista a presença de uma população que não foi registrada nesse tempo. “Se encontrarem, eu acharei ótimo. Seria um indicativo biológico, refletindo as campanhas de preservação ambiental e mostrando a importância da recuperação das florestas”.

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