Ministério Público Federal do Rio de Janeiro se depararam como uma entrega de dinheiro bastante inusitada

Durante a investigação que apurava o esquema de fraude montado pelo ex-ministro das Cidades Alexandre Baldy e seu primo Rodrigo Sérgio Dias, os procuradores do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro se depararam como uma entrega de dinheiro bastante inusitada.

O dinheiro foi escondido em caixas de gravatas da luxuosa grife francesa “Hermès” e entregue para Rodrigo Dias numa charutaria, no Itaim Bibi, em São Paulo, em 20 de outubro de 2018. Em fotos na denúncia do MPF, é possível ver bem o dinheiro camuflado nas caixas. As fotos foram encontradas no celular de Edson Giorno, um dos funcionários da organização social Pró-Saúde, envolvida no esquema de fraudes. Edson é um dos delatores dos crimes ao MPF. Cabia a ele facilitar a aproximação dos contatos com o núcleo político e com as entregas de valores.

Nesta terça-feira, a Força-Tarefa da Lava Jato do MPF denunciou onze pessoas pelo cometimento de crimes de corrupção, peculato, fraude a licitações e organização criminosa. No comando do da organização criminosa, segundo os investigadores está Baldy.

Segundo investigações, dinheiro era entregue em caixas de gravatas de marca de luxo

“O papel de Alexandre Baldy era central no comando e na utilização de seu poder político e influência junto às mais variadas entidades públicas para assegurar a perpetração dos delitos. A essa forma de atuação, deu sustento seu primo Rodrigo Dias e parceiro de confiança em cargos públicos, que se colocou à frente das negociações e, por vezes, dos recebimentos de valores”, descrevem os procuradores.

Em um encontro em setembro de 2018, em um apartamento nos Jardins, em São Paulo, Baldy disse a Edson Giorno, que “poderia conseguir sua nomeação como Secretário de Estado para que esse viesse a ter foro por prerrogativa de função, e, assim, ficasse mais protegido das investigações”. A informação consta na delação de Edson.

Em 120 páginas os procuradores detalham pelo menos oito encontros para os pagamentos oriundos de vantagens indevidas. O esquema contava com a indicação de aliados de Baldy para o controle dos órgãos que pudessem contratar a empresa. A partir daí, ocorria o direcionamento da licitação, sempre mediante pagamentos. Os procuradores identificaram que houve fraudes em licitações promovidas pela Junta Comercial de Goiás (Juceg) e pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Em nota, a defesa de Alexandre Baldy informou que está tomando providências para provar sua inocência.

Leia a íntegra do posicionamento do ex-ministro: 

Alexandre Baldy é empresário e industrial, tem sua vida pautada pelo trabalho, correção e retidão, seja no setor privado ou público. Sempre esteve e segue à disposição para esclarecer quaisquer questões sobre a sua vida ou as funções públicas as quais exerceu. Todo o seu patrimônio é declarado, inclusive os mencionados nas peças apresentadas na medida cautelar. Todas as providências na defesa para que a inocência de Alexandre Baldy seja comprovada estão sendo tomadas.

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