MP investiga suspeita de relação entre morte por Covid em hospital e falta de anestésicos para intubação

Caso ocorreu no Hospital Florianópolis, em junho. Unidade nega que haja ausência de medicamentos para entubar pacientes graves com Covid-19. MP investiga relação entre morte de jovem no Hospital Florianópolis e falta de anestésico
O Ministério Público de Santa Catarina investiga a morte de um paciente de Covid-19 no Hospital Florianópolis, na capital, ocorrida no mês passado. A suspeita é que haveria uma possível relação entre essa morte e a falta de anestésicos pra intubação. Tanto a unidade hospitalar, referência no tratamento da doença, quando o governo de Santa Catarina negam a ausência de medicamentos.
O caso começou a ser discutido no dia 24 de julho, em uma reunião de promotores de Justiça com o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro. Nessa reunião foram tratadas as ações do estado no enfrentamento da pandemia, como a ampliação de leitos de UTI e a escassez de sedativos.
Num dos trechos da ata da reunião consta que o promotor Luciano Naschenweng questionou o caso de um jovem de 21 anos, internado no Hospital Florianópolis, que recebeu morfina por falta de medicamentos apropriados e acabou morrendo.
A ata diz ainda o que o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, esclareceu que o medicamento mais importante para pacientes de Covid-19 é o relaxante neuromuscular, que faz com que a respiração artificial seja feita de forma mais fácil. Ele disse que o Hospital Florianópolis tem obrigação de manter os remédios e que por isso foi notificado pela pasta da Saúde, mas que de toda forma a unidade recebeu os medicamentos.
Um mês depois, o Ministério Público instaurou um procedimento preliminar de investigação pedindo que o Hospital Florianópolis respondesse em até cinco dias qual foi a causa da morte do jovem e se continuavam faltando os sedativos.
O Instituto Maria Schmitt (IMAS), que administra a unidade, respondeu ao MPSC que o jovem deu entrada no dia 22 de junho, com quadro respiratório grave, e que não respondeu bem ao tratamento, mesmo com a associação de bloqueadores e sedativos. Falou que ele morreu em função de três fatores que constam do atestado de óbito: insuficiência respiratória aguda, pneumonia bacteriana e Covid-19.
Outro lado
A reportagem da NSC também procurou IMAS para comentar o caso. Por nota, disse que lamenta todas as mortes pela doença, que contesta as denúncias sobre a falta de medicamentos para intubação de pacientes graves de Covid-19, que usa os protocolos do Ministério da Saúde e que nenhuma morte no hospital está relacionada com o possível desabastecimento de remédios usados pela rede pública.
O governo de Santa Catarina informou, também por nota, que não há nenhuma morte relacionada a possível falta de medicamentos e que as unidades hospitalares do Estado vêm recebendo fármacos necessários para o atendimento de pacientes.
Investigação prévia
O Ministério Público tinha começado a apurar, em junho, a falta de anestésicos para pacientes com Covid-19, depois que a Sociedade Brasileira de Anestesiologia denunciou o problema em todo o país, e na ocasião MPSC apontava a situação do Hospital Florianópolis como grave.

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