Resistência

Na maior parte dos municípios catarinenses, o PT vem sofrendo com a desconfiança popular e a associação de personagens locais a líderes nacionais da legenda condenados por corrupção. Que o diga o presidente do partido em São João Batista, Angelo Zunino, que tenta se candidatar a prefeito nestas eleições e não consegue encontrar um postulante a vice. Candidato a deputado estadual em 2018, quando somou 1.205 votos, ele tem sérias dificuldades, inclusive, na formação de uma nominata para a disputa do Legislativo.

Zunino já tentou, entretanto, unir o PT a outros projetos — como o da pastora Fernanda Adorne (PSC) e o do empresário Estevan Nascimento (PL), que devem concorrer à prefeitura em linhas alternativas — mas, ainda assim, sem sucesso.

Demorou, mas a relação de amizade e fidelidade entre o deputado federal Rogério “Peninha” Mendonça (MDB-SC), de Nova Trento — vice-líder do governo na Câmara —, e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) começa, enfim, a gerar vantagens para o povo barriga-verde. A bancada catarinense recebeu R$ 130 milhões em emendas coletivas empenhadas no Orçamento da União para 2020. A do Pará, por exemplo, conseguiu pouco mais de R$ 1 milhão.

Para o jornal O Estado de S. Paulo, Peninha disse que “é reflexo da aproximação com o Planalto, já que o presidente teve 75% dos votos no estado”. Segundo o parlamentar neotrentino, “Bolsonaro havia prometido atenção especial a Santa Catarina”.

selfie do presidente do MDB em Tijucas, vereador Fernando Fagundes, mais o ex-prefeito Elmis Mannrich (MDB) com o músico Rafael Booz, o Fá, quinta-feira (22), em noite de matar a saudade no Benquisto Hamburgueria & Pub, na esquina mais charmosa da Capital do Vale.

Fagundes e Mannrich, que sempre foram muito próximos, estiveram o tempo inteiro juntos e afastaram, de uma vez por todas, qualquer indício — ou especulação — de que pudessem estar com a relação estremecida por supostas divergências nas eleições de 2018 e em alas distintas no diretório municipal.

Valeram à pena todos os esforços para impedir a instalação de uma penitenciária industrial em Tijucas. Desde a rigidez do prefeito Elói Mariano Rocha (PSD), que contendeu firmemente com o correligionário e então governador Raimundo Colombo (PSD), à confiança inabalada, vezes utópica, dos vereadores Juarez Soares (PPS) e Rudnei de Amorim (DEM), que chegaram a promover a maior audiência pública já registrada na região. Ontem, o governador Eduardo Pinho Moreira (MDB) decidiu que os recursos empenhados na construção de novas unidades prisionais em Santa Catarina seriam redirecionados para a ampliação de outras, já existentes. O chefe do Executivo estadual deixou claro que os empecilhos, como a judicialização dos processos – a exemplo do caso de Tijucas – provocaram a medida, que é emergencial.

Embora a solução seja paliativa, a comunidade tijuquense – e do Vale do Rio Tijucas e Costa Esmeralda – pode se orgulhar. O “não” à penitenciária, dito em uníssono por autoridades locais e movimentos populares e políticos de toda sorte, mais a busca desenfreada por apoios nesse pleito, garantiram um direito que ninguém pode nos tirar: de sermos ouvidos e respeitados.

NADA VEZES ZERO

A situação, em Tijucas, permanece tão amarrada que sequer a ampliação das vagas no Presídio Regional, na Itinga, pode ser considerada pelo Estado. O governador anunciou investimentos na casa dos R$ 30 milhões, que serão usados na expansão das UPAs (Unidades Prisionais Avançadas) de de Barra Velha, Brusque, Campos Novos, Canoinhas, Itapema e Videira, cada uma com 90 novas vagas. Também estão nesse plano as penitenciárias de Blumenau, com mais 192 vagas, Chapecó, com outras 192, e o Presídio Regional de Araranguá, com 320.

Vencido de maneira traumática na concorrência majoritária de 2016 em Tijucas, o ex-prefeito Elmis Mannrich pode ter outra prova de fogo em outubro próximo. Se não quiser perder a majestade no diretório municipal do PMDB, o diretor técnico da Aresc (Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina) precisa se articular.

Um movimento, essencialmente arrojado por vereadores peemedebistas, estaria planejando a tomada do partido no próximo embate interno; e a consequente renovação dos quadros periquitos na política local. O grupo vem atuando cautelosamente, direcionando convites a dissidentes da legenda e propondo a união de forças contra o absolutismo nas fileiras do PMDB da Capital do Vale.

Vogal do PSDB em Tijucas, o corretor imobiliário Marcio Rosa Filho anuncia aos quatro ventos a própria pré-candidatura à Câmara Municipal em 2020 pelos tucanos. Diz que, no momento, enfrenta resistências na família, sobretudo do pai, advogado Marcio Rosa, entusiasta do PMDB na cidade; mas que tem a política no sangue e quer seguir nessa toada.

Tudo, porém, pode ficar mais simples se os dois partidos estiverem unidos nas próximas eleições municipais – o que, pelo andar da carruagem, e pelos movimentos de bastidores, seria muito provável.

O prefeito de Canelinha, Moacir Montibeler (PMDB), inovou, ontem, ao convidar os vereadores de oposição para duas audiências com o presidente do Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), Wanderley Teodoro Agostini, e com o vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB). Na foto, percebe-se nitidamente o desconforto dos oposicionistas, críticos vorazes do governo municipal, Antônio Carlos Flores (PSDB) e Abel Grimm (PP), deslocados à direita.

Representantes dos poderes Executivo e Legislativo estiveram unidos em Florianópolis para reivindicar, novamente, a municipalização da SC-409, que interliga Canelinha e Brusque pela localidade de Moura. A estrada compõe a área rural da Cidade das Cerâmicas e necessita, desde sempre, de incessantes melhorias.

Para se unirem, tanto a coalizão L.I.M.P.E. – que congrega o PSDB, o PT, parte do PP e outras agremiações menores em Tijucas – quanto o PSD/DEM terão que fazer concessões e se ajustar um ao outro.

Se a vereadora Lialda Lemos (PSDB) é persona non grata nas bases peessedistas, o advogado Marcio Rosa (PSD) também tem ampla rejeição no QG dos asseados – embora tenha presidido, até pouco tempo, o PSDB municipal.

Pouca gente sabe, mas a unidade das oposições em Tijucas também é uma solicitação do deputado federal Esperidião Amin, que quer ver, antes de tudo, o seu PP coeso.

Neste momento, o L.I.M.P.E. tem André Dadam (PP) e Helio Gama (PP), enquanto o PSD/DEM conta com Nilton de Brito (PP). Rogério de Souza (PP) e Vilson Natalino Silvino (PP) estão mais discretos.

Máxima liderança do PSD em Tijucas, o engenheiro Sérgio “Coisa Querida” Cardoso recebeu, ontem, no Sebrae/SC, a visita do coordenador geral do movimento L.I.M.P.E., suplente de vereador Marcelo Henrique Pereira (PSDB), para o início das conversas sobre a unidade das oposições na Capital do Vale com vistas nas eleições municipais que se avizinham.

Ao blog, com exclusividade, Pereira informa que há 95% de semelhanças nas intenções e interesses das duas agremiações, e que o encontro, em princípio, foi bastante produtivo.

Início de um fim anunciado. Começaram, efetivamente, as tratativas entre a coligação L.I.M.P.E. – que congrega o PSDB, o PT, parte do PP e agremiações menores em Tijucas – com líderes do grupo encabeçado pelo PSD.

O objetivo, conforme antecipado variadas vezes pelo blog, é a unidade dos movimentos de oposição da cidade com vistas nas eleições municipais. De parte a parte, há aproximação. Os próximos dias serão de encontros e negociações.

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