Rio, Niterói e Nova Iguaçu não têm data para volta às aulas nas escolas públicas; Caxias retorna em outubro

Apesar de o governo do estado ter definido datas para o retorno às aulas — a rede privada volta no dia 14 de setembro, e a pública, em 5 de outubro —, a Prefeitura do Rio ainda não bateu o martelo sobre quando as atividades presenciais serão retomadas nas escolas do município. Em nota, Marcelo Crivella afirmou, nesta quinta-feira, que ainda vai debater a questão com as partes envolvidas e o comitê científico. Enquanto isso, a Defensoria Pública do Rio estuda se vai entrar com alguma ação contra o decreto do estado. Segundo a nota enviada, “será avaliado se os dados epidemiológicos apresentados pelo Estado sustentam um retorno seguro”: “Caso contrário, ingressaremos com ação judicial, sim”, diz o texto.

Nesta quinta-feira, um protesto simbólico contra o retorno foi realizado no Centro da cidade pelos sindicatos dos profissionais de Educação (Sepe) e dos professores da rede particular (Sinpro-Rio).

— Não percebemos mudança alguma a pandemia e não acreditamos que em 25 dias isso vá ocorrer — disse o vice-presidente do Sinpro-Rio, Afonso Celso Teixeira.

Coordenadora do Sepe, Izabel Costa alegou que as escolas públicas municipais não têm estrutura nem orçamento para adquirir itens necessários para o retorno seguro às aulas.

— O governo do estado cede às pressões empresariais e eleitoreiras, em vez de garantir a proteção da comunidade escolar — afirmou ela.

Já o Sindicato das Escolas Particulares do Rio (Sinepe-Rio) afirmou que as unidades estão prontas para o retorno.

— O retorno vai acontecer de forma bastante segura e controlada para alunos, professores e demais profissionais, com base nas regras de ouro e nos protocolos definidos em conjunto com as autoridades — diz o diretor do Sinepe, Frederico Venturini.

A pneumologista da Fiocruz Margareth Dalcomo afirmou que o retorno precisará seguir regras sanitárias rígida:

— Existe uma logística que permitirá que cada unidade defina suas condições de abertura. Vai depender se a escola pode fazer a maior parte das atividades ao ar livre, reorganizar as salas de outra maneira. A decisão será tomada no bom senso entre todas as pessoas envolvidas no processo educativo.

A prefeitura informou, em nota, que não regula o retorno de atividades de creches e escolas particulares. Apenas autoriza, com a Vigilância Sanitária municipal, que voltem a funcionar.

Nova Iguaçu: retorno em 2021

Niterói também ainda não bateu o martelo sobre o retorno das aulas. Em nota, a prefeitura diz que “essa decisão será avaliada após consulta ao Comitê Científico, formado por profissionais da UFF, UFRJ e Fiocruz”.

Em Nova Iguaçu, as aulas na rede pública só devem voltar em 2021. Em nota, a prefeitura diz que “muito provavelmente as escolas municipais não retornarão este ano”.

Já em Caxias, as escolas devem abrir nas datas definidas pelo decreto do governo, se não houver alguma decisão judicial proibindo a reabertura.

Uma pesquisa da Datafolha divulgada ontem sobre as aulas remotas durante a pandemia mostrou que 77% dos estudantes se sentem tristes, ansiosos, irritados ou sobrecarregados. O estudo aponta que passou de 58%, em maio, para 67%, em julho, o percentual de alunos com dificuldade na rotina de estudos em casa.

Cidades divergem sobre reabertura dos cinemas

O governo estadual publicou na quarta-feira, numa edição extra do Diário Oficial, o decreto sobre a volta das aulas presenciais a partir de 14 de setembro. O mesmo documento permite a reabertura, desde ontem, de cinemas e teatros em regiões do Rio onde é baixo o risco de contaminação, desde que os municípios autorizem. As prefeituras do Rio e de Niterói, no entanto, informaram que não vão seguir essa decisão, mantendo os locais fechados. São Gonçalo também não tem dava para a reabertura.

Já as prefeituras de Caxias e Nova Iguaçu, segundo o site G1, disseram que vão seguir as medidas do governo estadual e vão voltar com as atividades nas salas de cinema e outros espaços.

De acordo com o governo estadual, a retomada deve ser parcial, com 40% das ocupações ou distanciamento de dois metros entre as pessoas nas salas de cinemas. A flexibilização prevê a reabertura parcial, com um terço das ocupações, de salas de teatro, de concerto, museus e centros culturais.

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