Secretaria de Transportes do Rio diz que vai autuar BRT por paralisação


Segundo pasta, consórcio deveria ter botado em prática plano de contingência. Os três corredores — Transoeste, Transcarioca e Transolímpica — não funcionaram na segunda-feira (30 e causou transtornos para população. BRT volta a circular no Rio após paralisação
A Secretaria Municipal de Transportes disse nesta terça-feira (1º) que vai autuar o BRT-Rio pela interrupção realizada na última segunda-feira (30), que prejudicou mais de 170 mil passageiros que utilizam o sistema.
O órgão não especificou se o consórcio será multado nem o possível valor.
Ainda de acordo com a pasta, é de responsabilidade do consórcio adotar medidas emergenciais em casos de paralisações, o que não aconteceu.
A secretaria disse também que há um projeto, já aprovado no Senado, para liberar recursos para o setor de transportes que passa por uma grave crise por causa da pandemia.
Depois de um dia caótico no BRT, com milhares de passageiros sem ônibus, a direção do consórcio aceitou a reivindicação dos motoristas para encerrar a paralisação. A promessa era depositar ainda nesta terça-feira (1º) os 30% que faltam da primeira parcela do 13º salário.
Sistema do BRT volta a operar
Ônibus dos três corredores — Transoeste, Transcarioca e Transolímpica — voltaram a circular normalmente na manhã desta terça-feira (1).
O BRT é um sistema de corredores exclusivos de ônibus com estações onde o passageiro paga a viagem antes de embarcar. No Rio são três ramais, que cruzam as zonas Norte e Oeste.
Homens da Guarda Municipal e da Polícia Militar reforçavam o policiamento no corredor Transoeste.
Por volta das 6h, a movimentação ainda era tranquila na estação Pingo D’Água, em Guaratiba, na Zona Oeste, era normal. Uma hora depois, a estação já estava bem cheia, com passageiros aglomerados e viajando em pé nos ônibus.
Estação Pingo D’Água do BRT na manhã desta terça-feira (1º)
Reprodução/ TV Globo
No corredor Transcarioca, não havia filas nesta manhã e o movimento de passageiros era abaixo do esperado para o horário. Os ônibus saíam da estação Taquara com regularidade. Eles não estavam lotados e não havia filas.
Na estação Recreio Shopping, um ônibus quebrou por volta das 7h, no horário de pico.
Ônibus articulado do BRT quebra durante horário de maior movimento no Rio
Reprodução/ TV Globo
Na estação de Madureira, que faz a conexão com os trens, o serviço funcionava sem problemas no início desta manhã. Às 8h30, no entanto, era grande a movimentação de passageiros que seguiam para o trabalho, com ônibus bem cheios.
Durante a madrugada, o consórcio divulgou uma nota sobre o assunto:
“O BRT Rio utilizará os recursos de compromissos futuros e pagará os 30% restantes da primeira parcela do 13º salário nessa terça-feira, primeiro de dezembro.
A medida visa, única e exclusivamente, atender às necessidades dos usuários que dependem do BRT para deslocamento diário.
O BRT rechaça qualquer acordo com os motoristas que instalaram ilegalmente a greve, os quais atuaram de forma irresponsável na paralisação de um serviços essencial para a população.
Com o pagamento integral da primeira parcela do 13ºsalário, o BRT Rio espera que todos os motoristas retornem ao trabalho de forma a não prejudicar ainda mais os cariocas”, diz a nota.
Estação Curicica do BRT na manhã desta terça-feira (1º)
Reprodução/ TV Globo
BRT circula lotado no dia seguinte de paralisação de motoristas
Reprodução/ TV Globo
Nó no trânsito
A paralisação na circulação de ônibus do BRT — iniciada por volta das 12h — provocou um nó no trânsito da do Rio na volta para a casa na segunda-feira (30).
Durante a tarde, um passageiro, que é motorista de outra empresa, ficou revoltado com a situação e decidiu assumir a direção de um ônibus no Terminal Alvorada.
Outro passageiro chegou a fazer um vídeo e publicar nas redes sociais. O Centro de Controle de Operações do BRT, que funciona 24h por dia, acionou a Polícia Militar, que conseguiu parar o ônibus na Avenida das Américas.
Por volta das 19h, a cidade tinha 131 km de engarrafamento, segundo o Centro de Operações da prefeitura. Na última segunda (23), no mesmo horário, o trânsito era de 51 km, mesma média das outras segundas de novembro.
A Zona Oeste foi a região mais afetada, com trânsito intenso na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá.
Paralisação no BRT causa trânsito e deixa passageiros na mão
O serviço do BRT foi interrompido por conta da paralisação de alguns motoristas, em protesto contra o parcelamento do 13º salário em cinco vezes.
A concessionária BRT Rio afirmou que o movimento acarretou irregularidades nos intervalos, inviabilizando a operação em todo o sistema. Em nota, o Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro disse que alertou sobre paralisação e que as empresas foram avisadas.
Nó no trânsito agora à noite sem o BRT
Reprodução
O que disse o Sindicato dos Rodoviários
De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro, Sebastião José, as empresas de ônibus já haviam sido avisadas sobre a possibilidade de paralisações no BRT caso o atraso no pagamento do 13º salário de motoristas e cobradores ocorresse.
“Dois meses atrás comunicamos aos consórcios de que caso o repasse não fosse pago na data determinada, isso poderia acontecer. Para se ter uma ideia, no início da pandemia assinamos um acordo com as empresas com o aval do Ministério Público do Trabalho (MPT), onde ficou acertado que haveria a redução de jornada mas sem demissões, o que não foi respeitado. O trabalhador já está com dívidas, sem dinheiro para honrar seus compromissos, e ainda por cima não recebe o décimo terceiro conforme o combinado, sinceramente não dá para controlar esse tipo de sentimento de revolta dos profissionais”, comentou o presidente do sindicato.
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