#Verificamos: CDC não revelou que ‘somente’ 6% dos óbitos da pandemia foram causados ‘exclusivamente’ por Covid-19

Circula nas redes sociais um post que diz que o Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, concluiu que “somente” 6% das mortes atribuídas à Covid-19 são de decorrência “exclusiva” do novo coronavírus, alegando que o número de mortes é muito menor. E que, portanto, 94% dos óbitos foram ocasionados por outras doenças e não por causa do vírus da SARS-CoV-2. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Essa é a notícia mais importante dos últimos 6 meses. Nos EUA apenas 6% dos mortos contaminados morreram exclusivamente do vírus segundo o levantamento do CDC”
Legenda de imagem publicada no Facebook que, até as 18h do dia 02 de setembro de 2020, tinha sido compartilhada por mais de 330 pessoas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A publicação que circula nas redes sociais faz uma interpretação incorreta das estatísticas publicadas por um levantamento que é feito pelo CDC, sobre as atualizações semanais da contagem provisória de óbitos por Covid-19. Em 6% das mortes, o novo coronavírus foi a única causa mencionada nos atestados de óbitos, ou seja, não havia nenhuma outra condição relatada. Contudo, parte dos outros 94% também incluem no atestado de óbito problemas causados pelo próprio vírus, como pneumonia e insuficiência respiratória.

A última edição desse levantamento, por exemplo, mostra que, de 169 mil mortes causadas pelo novo coronavírus nos Estados Unidos até o dia 29 de agosto, 71,7 mil mostravam pneumonia como causa secundária, e outras 57,5 mil incluíam insuficiência respiratória.

Também aparecem nessa tabela doenças crônicas, como diabetes ou hipertensão, e outras condições de saúde que não são causadas pelo vírus, mas que podem ter alguma influência na morte. Não é possível precisar, apenas por essa tabela, quantas pessoas de fato tinham comorbidades anteriores à infecção e quantas não tinham, visto que um determinado certificado de óbito pode apresentar mais de uma condição.

Por meio de nota, o CDC explicou que publica semanalmente dados sobre condições adicionais presentes em pacientes que morreram com Covid-19. Essas outras doenças ou condições encontradas em um paciente são chamadas de comorbidades. As informações são coletadas de atestados de óbitos que podem ter uma ou mais causas ou condições listadas que contribuíram para a morte do paciente, conforme determinado com base na experiência médica. A causa básica da morte é a condição que deu início a uma série de eventos que culminou com a morte da pessoa, explica o órgão.

Tuíte de Trump

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump chegou a retuitar no domingo (30) um post com a mesma informação citada na publicação que circula no Brasil. O Twitter removeu o tuíte original, que veio de uma conta dedicada à teoria conspiratória pró-Trump – a QAnon. A captura de tela, entretanto, continuou sendo compartilhada nas redes sociais. Agências de verificação dos Estados Unidos, a exemplo da FactCheck.Org, desmentiram o boato.

À rede norte-americana ABC, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, esclareceu o que significam os dados do CDC – reforçando as informações oficiais do órgão. “Isso não significa que alguém com hipertensão ou diabetes que morre de Covid não morreu de Covid-19”.

No Brasil, a desinformação foi compartilhada pelo jornalista Alexandre Garcia, em seu canal no Youtube. “Os americanos descobriram que só 6% dos mortos foram mortos exclusivamente pelo coronavírus. Os outros todos foram comorbidades, gente que já estava doente, inclusive gente que já ia morrer”, disse na ocasião.

Informação similar foi checada por AFP Checamos e Aos Fatos.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

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